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Operação Chabu: o plano era trazer US$ 10 bi para o Brasil, diz PF

Alex Diferolli

(Por Fábio Serapião, via Crusoé)

Conversas em poder da Polícia Federal mostram detalhes da tentativa dos investigados na Operação Chabu de trazer para o Brasil 10 bilhões de dólares. Os valores seriam utilizados na criação de uma “cidade tecnológica”, em Florianópolis, pelo Instituto Meta 21 e teriam como origem uma empresa americana chamada Manna Holding Trust.

As conversas de agosto de 2018 mostram o delegado federal Fernando Caieron, apontado como um dos líderes de um grupo criminoso que “comercializava inteligência cibernética”, intermediando os interesses do Instituto 21 com a Prefeitura da capital catarinense. O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, chegou a emitir um ofício de apoio formal ao projeto.

“O projeto futuro cidade tecnológica intermediado pelos senhores Fernando Caieron e José Augusto perfaz a cifra de US$ 4.000.000.000.00 (quatro bilhões de dólares americanos). Conforme RIF abaixo, em verdade, os investigados iniciaram a tentativa de um aporte de US$ 10.000.000.000.00 (10 bilhões de dólares americanos)”, diz trecho do pedido de prisão dos alvos da Chabu.

A transação não chegou a ser realizada e foi comunicada ao Conselho de Controle de Atividade Financeira pelo Banco Paulista. Segundo a comunicação, a operação foi “recusada em virtude de não apresentar qualquer respaldo jurídico/financeiro”.

Como Crusoé informou ainda na terça-feira, dia da deflagração da operação em Santa Catarina, a Polícia Federal investiga se há ligação entre os suspeitos e a onda de invasões de telefones celulares de autoridades da Lava Jato.

“O grupo criminoso formado por delegados federais, policiais rodoviários e empresários que foi alvo da Operação Chabu, deflagrada na última terça-feira em Santa Catarina, comercializava serviços de “inteligência cibernética”. As informações estão no pedido de prisão do delegado Fernando Caieron, apontado como um dos líderes do grupo, e de outras seis pessoas, entre elas o prefeito de Florianópolis Gean Loureiro (sem partido).

O mesmo relatório que menciona a tentativa dos investigados de trazer os 10 bilhões de dólares para o Brasil mostra que, com um deles, foram encontradas imagens da tela do computador do delegado Márcio Anselmo, um dos precursores da Operação Lava Jato em Curitiba.