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PSDB, o partido que carrega em sua essência uma das mais brilhantes estratégias de articulação de dois socialismos: a Estratégia das Tesouras

Alex Diferolli

Isso mesmo que você leu. Entenda sobre o assunto neste artigo escrito por Steh Papaiano.

Tido como um partido de direita pela massa desinformada, e apresentado como tal pelos desinformantes, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), carrega consigo uma das mais brilhantes estratégias de articulação de dois socialismos: a Estratégia das Tesouras.

A estratégia consiste em deixar uma das lâminas da tesoura a cargo dos revolucionários marxistas, enquanto outra fica a cargo dos socialistas fabianos.

Desse modo, apesar de estarem em posições físicas opostas ambas cortam no mesmo sentido, garantindo uma falsa polarização na qual os fabianos ocupam estrategicamente o lugar da direita.

Por falar em polarização, o general prussiano Carl von Clausewitz já ensinava em seu tratado sobre arte militar, chamado Da Guerra, que “ao pensar que os interesses dos 2 comandantes são igualmente opostos um ao outro, estamos admitindo a existência de uma verdadeira polaridade. O princípio da polaridade só é válido em relação a um e ao mesmo propósito, no qual os interesses ofensivos e defensivos ANULEM-SE totalmente. Numa batalha, cada lado visa a vitória”.

Perspicaz, Clausewitz arremata: “este é um exemplo de uma verdadeira polaridade, uma vez que a vitória de um lado exclui a vitória do outro, quando, entretanto, estivermos lidando com duas coisas diferentes, que tenham uma relação comum externa a elas, a polaridade não estará nas coisas, mas sim na relação existente entre elas”.

E qual é a relação existente entre marxistas e fabianos?

O próprio Fernando Henrique Cardoso responde, em matéria republicada na Folha, em 2005:

O que separa PT e PSDB não é nenhuma diferença ideológica ou programática, mas pura e simplesmente a disputa pelo poder.”

Mas o que é exatamente o socialismo fabiano?

O socialismo fabiano é derivado da Sociedade Fabiana, uma organização socialista britânica criada em 1884 pelo casal Beatrice e Sidney Webb e outros colaboradores, cuja proposta era a de implantar o socialismo de maneira gradual e reformista, fazendo um contraponto com a ala marxista, esta menos sofisticada e muitíssimo mais apressada.

O modelo fabiano é de especial interesse às verdadeiras elites, uma vez que, para aqueles que já estão no topo, o tempo não é necessariamente um problema, já que a continuidade histórica de seus clãs familiares se dará através da perpetuação por ordem dinástica.

Não é à toa que, para a elite dominante e da militância ruminante, a destruição da família dos outros é sempre um bom negócio.

Mas vamos ao que interessa, afinal, a imagem do escopo da matéria deve estar lhe causando certa curiosidade. Trata-se de um vitral projetado por George Bernad Shaw e cujo nome é A Janela Fabiana.

A peça foi retirada da casa de Beatrice Webb, em Surrey, Inglaterra, e hoje encontra-se na London School of Economics and Political Science, fundada em 1895 por membros da Sociedade Fabiana.

Logo no topo do vitral é possível ler a última linha de um trecho tecido pelo matemático, astrônomo, filósofo e poeta persa Omar Khayyám:

“Dear love, couldst thou and I with fate conspire
To grasp this sorry scheme of things entire,
Would we not shatter it to bits, and then
Remould it nearer to the heart’s desire! ”

Uma tradução mais apropriada ao tema seria:

“Querido amor, não poderíamos eu e você
Conspirar com o destino para afastar completamente
Este lamentável esquema das coisas?
Não o despedaçaríamos por completo,
Apenas o remodelaríamos ao nosso gosto! ”

Abaixo da linha de Omar, no canto direito, podemos ver Sidney Webb e Bernard Shaw manipulando um globo incandescente, recém-saído da fornalha alimentada por Edward R. Pease.

O globo é a Terra sendo martelada sobre uma bigorna, ou seja, a construção de um novo mundo, remodelado ao gosto da Sociedade Fabiana.

Um escudo que sobrepõe a fornalha diz “pray devoutly, hammer stoutly” (ore devotadamente, martele fortemente), o que indica ação contínua na busca pelo objetivo.

Acima da Terra, uma das imagens mais emblemáticas e que ilustra o caráter subversivo dos fabianos: um brasão com um lobo em pele de cordeiro.

Na porção inferior da janela, ao lado esquerdo, podemos ver o historiador, filósofo e novelista britânico H. G. Wells, que depois de deixar a sociedade Fabiana, a denunciou como sendo maquiavélica.

Wells aparece consternado ao ver a burguesia ajoelhada em frente a uma pilha de livros que advogam as teorias socialistas.

Se depois de tudo isso ainda não ficou clara a promíscua relação entre PT e PSDB e o motivo pelo qual o lobo em pele de cordeiro jamais representou verdadeira oposição, você estará fatidicamente destinado a ser triturado no contínuo ciclo da falsa polarização.

Pior: invariavelmente, tomará partido de algum deles, enquanto ambos, juntamente com suas linhas auxiliares, riem da sua cara. E na atual conjuntura, TODAS as legendas partidárias estão servindo a algum desses dois senhores.

A essa altura do campeonato, a situação é cristalina: enquanto o social democrata atende aos anseios do Diálogo Interamericano, o PT desgoverna em prol do Foro de São Paulo, sucursal arquitetada pelo próprio Diálogo, que decidiu terceirizar a revolução na América Latina.

A propósito: além do lobo em pele de cordeiro, outro símbolo utilizado pelos fabianos é o de uma tartaruga raivosa, que carrega os seguintes dizeres: “quando eu bato, eu bato forte”.

Portanto, caro leitor, antes de mais nada, prepare-se intelectualmente, de modo a engrossar um novo caldo cultural e então revidar. Duas vezes mais forte, é claro.

Estão vendo o sujeito visivelmente assustado, no canto inferior esquerdo? É H. G. Wells. Além de ter integrado a Sociedade Fabiana, Wells escreveu um livro chamado A Conspiração Aberta, que narra a Parábola da Ilha de Provinder, onde quatro náufragos, três marinheiros e um garoto.

Almejavam um porco que só Deus sabe como foi parar lá. Enquanto os três marinheiros queriam partes diferentes do porco, ou seja, se dariam por satisfeitos apenas amputando-as e deixando o “porco em paz”, o garoto queria caçá-lo e matá-lo para depois fazer a divisão da carne entre as partes interessadas.

Depois de sucessivas e fracassadas investidas de cada um deles, que desencorajavam o garoto em seus intentos muitíssimo mais racionais, todos acabaram fracos demais, quase perecendo antes de serem resgatados.

Pudera: não bastasse a escassez de peixes ocorrida em determinada época, o porco, intacto e feliz, comia as raízes disponíveis na ilha antes que os náufragos paspalhos as achassem.

A lição que Wells tira do episódio é de que um empreendimento parcial não é sempre mais inteligente ou útil de que um abrangente, e de que os diferentes movimentos (politicamente falando) só possuirão abrangência se forem levados para dentro de um movimento mundial, do contrário, isolados, serão todos fúteis.

Eis o globalismo, onde o porco pode ser visto como o poder. O porco é justamente o alvo sobre o qual a nova direita (que é a direita permitida, sim!) diz estar exercendo influência estratégica, quando na verdade ela própria é apenas um pedaço do porco sendo instrumentalizado pelo movimento mundial.

(Revisão e Edição, Alex Diferolli.)

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